16 de Outubro - Dia Mundial da Alimentação: o brasileiro e sua mania dos rodízios
por Redação
Quarta-feira, 15 de Outubro de 2008

Alguns já são velhos conhecidos: rodízio de carnes, de pizzas, de sorvetes... Outros são criações mais recentes, como os de comida japonesa, o de foundies e o de petiscos, criado pelos cariocas.
Em um grande centro, como São Paulo, é possível encontrar até algumas opções mais incomuns, como o rodízio de comida kasher. “Em comum, todos se apresentam como ofertas atraentes para os olhos e para o bolso, pois por uma quantia razoável, você, literalmente, come tudo o que puder. E nada pode ser mais prejudicial à saúde do que comer em excesso, apenas supondo que os trinta reais do rodízio foram bem empregados”, defende a endocrinologista Ellen Simone Paiva, diretora do Citen, Centro Integrado de Terapia Nutricional.
Rodízio ou à la carte?
Quando uma das perguntas mais fundamentais da vida moderna pega você sentado à mesa de um restaurante japonês, não há dúvida. Quase ninguém é capaz de trocar o “coma-o-quanto-quiser” pelas porções de seis rolinhos, mesmo sabendo que, no rodízio, os sushis são preparados de forma tão mecânica que desapontariam qualquer sushiman que se preze... Tudo bem, ninguém se importa com detalhes quando se pode comer por quanto tempo o estômago agüentar... “Quando a refeição termina, você devorou algo perto de 350 gramas de carboidratos, 80 gramas de proteína, 50 gramas de gordura e mais de 2.000 calorias. Um total energético muitas vezes superior à recomendação de um dia inteiro”, alerta a nutricionista do Citen, Amanda Epifânio.
Além do preço barato, a variedade de itens é sempre um grande atrativo em um restaurante que serve rodízios. A possibilidade de provar um pouco de cada sabor, de tudo que for oferecido, independente da qualidade, gera um consumo alimentar que vai muito além dos conceitos de fome e saciedade. “Nessa modalidade de serviço, os alimentos são servidos em pequenas porções e com intervalos de tempo programados, entre uma porção e outra. Essa prática favorece o consumo excessivo, uma vez que não há a identificação visual do total de alimentos servidos. Em geral, uma pessoa que consumiria três fatias de pizzas em pizzarias tradicionais, é capaz de consumir mais de 10 fatias num rodízio”, afirma a nutricionista.
Comer pequenas porções de vários alimentos, em um curto espaço de tempo, gera um comportamento alimentar inadequado, onde as pessoas passam a comer por impulso e não mais por fome e continuam a comer até sentirem-se mal. “Quase sempre o mal estar gástrico é o responsável pela interrupção do consumo alimentar e não a saciedade, que seria o processo natural do corpo humano. Num rodízio, as pessoas deixam de sentir saciedade ou passam a senti-la só quando comem em grande volume, resultando em um óbvio aumento de peso”, alerta a endocrinologista Ellen Paiva.
Calorias além do recomendado
“Somado ao consumo excessivo de alimentos, ao desequilíbrio entre fome e saciedade, está o total calórico consumido. Mesmo em um restaurante onde encontramos comidas mais saudáveis - como em rodízios de comida japonesa - o total de calorias ingeridas pode ser assustador, por exemplo: 10 unidades de sushi de salmão + 10 unidades de sushi de atum + 5 fatias de sashimi de salmão + 2 temakis + 6 unidades de rot holl equivalem a 1800 calorias, sem considerar o molho de soja, utilizado como tempero. Num rodízio de pizzas, 10 fatias finas e sem bordas podem chegar a 2000 calorias. Em churrascarias, meio quilo de picanha é equivalente a 1500 calorias”, informa a nutricionista Amanda Epifânio.
“Em um restaurante à la carte, um prato com bife à parmegiana acompanhado de arroz e fritas somam 900 calorias. Esse é um prato muito calórico, mas em geral, todos sabem disso. O que não sabem é que comer em rodízios de restaurantes japoneses pode ser muito mais ameaçador à boa forma e à saúde. É claro que no japonês tem o salmão, rico em ômega-3, uma gordura com efeitos inquestionáveis quanto à proteção cardiovascular, mas se essa gordura tão boa contribuir para o ganho de peso, deixa de exercer seu efeito protetor”, defende Amanda.
É possível moderar num rodízio?
Quem está sempre preocupado com a forma física e vive fazendo dieta, muitas vezes, escolhe comer em restaurantes de rodízio simplesmente para poder “comer de tudo livremente”. “Comer de tudo livremente é o desejo de todos. É importante que se saiba que essa é uma prática perfeitamente possível, mas sempre vamos esbarrar na questão da quantidade. Controlar o quanto comer ou parar de comer tendo à disposição diversos alimentos saborosos na mesa do restaurante é o nosso maior desafio”, diz a endocrinologista Ellen Paiva. “Podemos sempre comer de tudo, mas nunca comer de tudo ao mesmo tempo. Esses são conceitos diferentes”, diz a médica.
“Nos rodízios, podemos provar de diversas preparações, o segredo é comer pequenas porções e vagarosamente, apreciando o sabor de cada preparação. Sempre que possível, devemos adicionar alimentos ricos em fibras - legumes, verduras e cereais integrais – aos pratos do rodízio, para contribuir para a melhor percepção da saciedade”, defende a nutricionista do Citen, Amanda Epifânio.
“Quando comer menos for impossível e você não conseguir evitar a orgia alimentar, a única saída possível é a restrição na escolha desse tipo de restaurante, dando preferência a restaurantes por quilo ou à la carte. Nesses casos, é sempre mais seguro escolher um único prato, pois ele será sempre menos calórico que um rodízio”, defende a nutricionista.
Rodízios em datas comemorativas
Nem sempre comer em rodízios é inconveniente. Eles se tornam uma alternativa quando o objetivo é festejar. Nessas ocasiões, as pessoas sempre reivindicam uma certa dose de descontração e descompromisso com os rigores de suas dietas. “Festejar geralmente significa exagerar um pouco, sair do sério, não ter que se preocupar com nada.
Se a comemoração for importante então, nem se fala... A refeição passa a ser uma comunhão entre amigos, colegas de trabalho ou familiares. Pensando bem, as comemorações não são rotina, são oportunidades de fuga da rotina. Apenas nestes casos, ir a um rodízio, não parece um mau negócio”, conclui a endocrinologista Ellen Simone Paiva.
Serviço:
CITEN - Centro Integrado de Terapia Nutricional
www.citen.com.br
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